Memórias de um cachorro quente sem salsicha

Hoje voltando pra casa, estava cansado e com fome, mas sem vontade de comer nada pronto, tipo um salgado ou uma bolacha. Então parei numa banquinha de lanches que tem aqui perto e pedi um hot dog de frango, prensado. Detalhe curioso: o hot dog de frango só vai frango desfiado, não tem salsicha. Acho isso muito estranho, afinal, o que faz um cachorro quente é a salsicha, seja ele estufado com outros recheios ou não. Acho que isso é uma coisa regional, daqui de Floripa, sei lá. Afinal, em Maringá você podia pedir um super mega hiper cachorrão, que mesmo atulhado de coisas, estava lá a salsicha cortada aberta ao meio.

E trazendo o lanche pra casa, pensando nas diferenças semânticas entre cachorros quentes daqui e de lá, um pensamento foi encadeando no outro, e acabei num momento saudosista, da época de faculdade, que fiz em Maringá. Talvez porque o cachorrão seja um prato típico da cidade (especialmente pra universitários sem muita grana), talvez porque eu esteja ficando velho e é isso o que velhos fazem (ficar lembrando o passado). Sei lá, o fato é que o lanche me desencadeou algumas memórias afetivas da época. Provavelmente, a maioria dessas memórias é incompleta ou inventada, já que a minha memória nunca foi exatamente boa pra lembrar de fatos da minha vida, mas sejam elas realidade ou não, quem se importa?

Lembrei de várias noites passadas no laboratório, fazendo inúmeros trabalhos da faculdade. Lembrei que lá de madrugada, às vezes a gente dava uma pausa (porque sabia que não estava rendendo mais quase nada, caindo de sono e cansaço) e íamos num dos trailers de cachorro quente que ficavam ao lado da universidade. E a oferta de cachorrões era grande. O laboratório era perto de uma grande avenida da qual a universidade fazia fronteira, e só do lado da universidade da avenida, havia dois trailers, um em cada ponta da quadra. E atravessando a avenida, havia mais outro. E claro, andando um pouco mais, atravessando umas duas quadras (grandes, com o velho supermercado Condor, numa das quadras), chegávamos a mais um trailer de cachorros quentes, dos bons.

Lembrei também de ocasiões em que quase a turma inteira varava as noites no departamento fazendo trabalhos, em diferentes laboratórios. E que de vez em quando, a gente saía de um, batia na porta de outro pra dar uma olhada no andamento deles, pedir e dar ajuda, ou só distrair um pouco do cansaço. Lembrei também que o pessoal do laboratório de eletrônica digital (acho que era esse o nome do laboratório, não lembro), mais precisamente os nossos amigos Koala e o Bart, às vezes levavam um belo "arsenal" pra varar a noite, incluindo refrigerantes, bolachas e outras porcarias alimentícias do gênero.

Lembrei também de uma ocasião em que estávamos implementando uma parte de um compilador (se você não sabe o que é isso, não queira entender, basta saber que é algo foda e complexo), varávamos a noite programando, eu e mais dois amigos que formavam o grupo. E lá depois das quatro da manhã, quando estávamos todos meio zumbis, revezávamos no trabalho, um digitando o código, outro conferindo ao lado e o terceiro tirando uma soneca.

Lembrei também de alguns apertos gastro-intestinais que passei naquela porcaria de universidade sem estrutura física. O banheiro do departamento era fechado a noite, restando apenas um banheiro público (que era muito do mal cuidado, sujo e podre). E detalhe: que nem sempre permanecia aberto de noite. Assim, às vezes depois de comer porcarias, dava aquela vontade de passar um fax, falar com o Wanderlei Cardoso, soltar um barro, etc. E nem sempre o banheiro estava aberto. Nessas ocasiões, rumo à guarita, onde ficavam os vigias, pra pedir a chave. E nem sempre o banheiro estava em condições de uso humano. Era um sufoco.

Uma vez, quando eu morava a cerca de uns 20 minutos do departamento, varava a noite fazendo um trabalho. Mas tinha comido alguma coisa que não havia me feito bem. Aí, já viu, né? Fui pro banheiro da universidade, mas estava impossível. Além de não ter papel higiênico, parecia que havia tido uma guerra biológica ali dentro. Suando frio, não tive dúvidas. Avisei a galera que ia pra casa, mas que logo voltava. E fui pra casa com o cu na mão, como diz a expressão. Mas consegui chegar a tempo, e no final, tudo acabou bem. Não antes de implorar a todos os deuses por uma ajudinha, claro...

Sorte que o departamento era formado de maioria masculina. Assim, idas a um banheiro mesmo eram raras. Mas vou te dizer que as árvores e as flores em volta do departamento eram bem saudáveis, bonitas, frondosas. Provavelmente devido à constante irrigação e fertilização noturna dos jatos de urina da galera...

Bem, por hoje chega de lembranças. Sim, esse post é sem sentido. Não tem uma historinha, nem uma lição. Só um ponto final.

5 Response to "Memórias de um cachorro quente sem salsicha"

  1. uai, tem lição sim, urina faz bem pra natureza... hahaha

    Banheiro sem condições para uso humano. Sei bem o que é isso, na universidade em que estudo isso é regra. Muito bom o blog cara, voltarei mais vezes. Té+

    "velho lembra do passado" e "faculdade sem estrutura fisica"... HAHAHAHAHAH, adorei o post!
    tem dias que eu acordo nostalgica, e em outros... basta o cumprimento de alguem pra eu lembrar de algum fulano de 10 anos atras e me remeter ao passado...
    bjs e bom findi!

    Guiga says:

    Tb me senti "velha" lendo teu post!heheh Mas gostei bastante do teu modo de escrever.Já tô seguindo.

    Beijo =)

    Ana Paula says:

    Eu nem sei como te achei, whatever também.
    Fato é: Cachorrão de Maringá, não tem em lugar nenhum (eu poderia usar em nenhum lugar, só pra rimar, só que não).
    Enfim, Maringá me remete á tanta coisa, mesmo morando aqui...
    Lembro do cheiro de quando eu vinha pra cá nas férias (eu morava em Rondonia). Lembro de andar de patins sem um mega transito louco.
    Lembro de me chamarem de gordinha e eu cagar pra todo mundo, sem pirar nesses lances moderninhos de bullyng e o caramba.

    HAHA
    Chega, só lembranças...

    Eu acho.

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